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“O Rei Mago desapareceu!”


Parece um absurdo, mas até hoje não tiveram o interesse de avisar que um dos Magos desapareceu. E por que não contam? Não era importante? Eles voltaram por outro caminho, como diz o Evangelho de Mateus. E nisso um se extraviou. Onde foi parar este infeliz? A tradição colocou os três  magos como vindos de mundos diferentes: África e Ásia. Na realidade parece que são persas. Havia nas pinturas da Basílica de Belém um mosaico  dos Magos apresentando as oferendas ao Menino. Esta Basílica foi iniciada no ano 327 por Santa Helena, mãe de Constantino. Quando chegaram os persas no início de 600, destruíram as igrejas cristãs, mas pouparam Belém, porque estavam desenhados os Magos usando trajes persas.

Então, um deles desapareceu. Qual? Tenho certeza que você já se encontrou com ele. Foi aquele que trouxe a mirra! Os outros dois trouxeram ouro e incenso. Mirra é uma resina perfumada, mas amarga. Ela preanuncia os sofrimentos do Cristo. É apresentada a Jesus quando sofria na Cruz, pois  servia de anestésico para a dor (Mt 15,23). Servia também para a conservação no embalsamamento dos cadáveres. Na sepultura de Jesus, Nicodemos levou 30 libras de uma mistura de mirra e aloés (Jo 19,39). Em curso sobre arqueologia cristã, estudamos o túmulo de Jesus. Ali foi ainda  encontrado, na pedra, sinal desta mistura, pois as 30 libras eram para ungir o túmulo. Pode parecer absurdo, mas foi afirmado pelo cientista.

A mirra aparece em dois momentos centrais da vida de Jesus: seu nascimento como um suave perfume que desceu sobre a terra. Os Cânticos dos  Cânticos dizem: “Meu amado é para mim, como um saquinho de perfume entre meus seios” (Ct 1,13). As mulheres levavam este perfume sob os  vestidos. Jesus é este agradável perfume que se expande pelo mundo através de nós. Somos o bom odor de Cristo (2 Cor, 2,15). A mirra, não mais  perfume, mas amargor, vai aparecer na Paixão e morte. Aqui aparece uma ligação magnífica de todo o Mistério Pascal de Cristo, que se inicia no  Presépio e vai até a Morte e Ressurreição. Os espanhóis tinham ou têm ainda uma saudação de Natal que diz: Feliz Páscoa de Natal (felices páscoas de navidad). Natal já é Páscoa e Morte de Jesus e é ainda o ponto mais forte da Encarnação, onde o Verbo de Deus assume totalmente nossa  condição humana.

O Mago, que dizemos que se extraviou, traz também para nós a mirra que acompanha nossos sofrimentos e, ao mesmo tempo, o perfume que conforta  em nossas dores. Assim estamos também vivendo o Mistério Pascal de Cristo. Por isso, não é necessário procurar o Mago desaparecido, ele  vem ao nosso encontro quando há dor e transforma-a em perfume. Assim nos unimos a Jesus no seu nascimento e na sua morte e ressurreição.

PE. Luiz Carlos de oliveira, C.Ss.r.