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A Tão Falada Riqueza da Igreja!


Muito se fala sobre a “riqueza’ da Igreja, o ouro do Vaticano, etc…A Igreja, sendo, também, uma Instituição humana, incumbida por Jesus para levar a salvação a todos os homens, precisa evidentemente de um “corpo material”, sem o quê, não pode cumprir a sua missão em toda a terra. Nenhuma outra instituição terrena tem uma missão tão ampla e, portanto, cara.  

Um pouco de História

Desde 1870, quando a guerra de unificação da Itália tomou, à força, as terras da Igreja (uma parte da Itália!), até o fim da chamada Questão Romana (11/02/1929), os Papas se consideraram prisioneiros no Vaticano, por cerca de 60 anos.  Apesar de toda a pressão contrária, os Papas desses 60 anos, Pio IX (1846-1878), Leão XIII (1878-1903), São Pio X (1903-1914), Bento XV(1914-1922) e Pio XI (1922-1939), julgaram que não podiam abrir mão da soberania territorial da Igreja para poder cumprir a missão que Cristo lhe deu. 
  
O patrimônio territorial que a Igreja possui (Cidade do Vaticano com museus, pinacotecas, basílicas…) resulta de doações que foram sendo feitas à Santa  Sé desde o século IV. Na Idade Antiga e na Idade Média muitos cristãos, ao morrer ou ao entrar no Mosteiro, doavam suas terras ao bispo de Roma (= o Papa). Em conseqüência, foi-se formando em torno da cidade de Roma o chamado “Patrimônio de São Pedro”; o Papa, sem ser Chefe de Estado, garantia a boa ordem e a paz em favor dos habitantes daquelas terras. Finalmente em 756 Pepino o Breve, da França reconheceu oficialmente o Estado Pontifício. Em 1870 este caiu, quando a Itália foi unificada.

O menor de todos os Estados

- Em 1929 foi restaurado o Estado Pontifício como o menor de todos os Estados existentes (0,44 km²). O Estado Pontifício hoje é uma herança legítima do passado, reduzido ao mínimo e destinado a servir à missão da Igreja. 

Os objetos contidos no Museu do Vaticano foram, em grande parte, doados aos Papas por cristãos honestos e fiéis, e pertencem ao patrimônio da humanidade; são inalienáveis, a maioria tem grande custo de manutenção, mas a Igreja os considera um patrimônio da humanidade. Os Papas não vêem motivo para não conservar esse acervo cultural muito importante. Não é a pura venda desses objetos, de muito valor para  todos os cristãos, que resolveria o problema da miséria do mundo. Será que a rainha da Inglaterra aceitaria vender o museu de Londres, ou o presidente da França vender o Louvre?… 

Peças e documentos preciosos

Os maiores tesouros artísticos do Vaticano não estão escondidos, mas à vista de todos, na própria Basílica de São Pedro, como a “Pietà”, ou na Capela Sistina, onde estão os famosos afrescos, criações, nos dois casos, de Michelangelo. Outras peças de valor impossível de ser sequer estimado são a “Transfiguração”, de Rafael, ou o “São Jerônimo”, de Leonardo da Vinci. 

Embora o patrimônio artístico e arqueológico dos museus do Vaticano possa ser comparado ao do Museu Britânico, ao do Metropolitan, de Nova York, e ao do Ermitage, de Leningrado, esse acervo, por disposição da própria Santa Sé, que o considera patrimônio de toda a humanidade, é inalienável, não pode ser vendido. 

Outros grandes tesouros, que igualmente jamais passarão para outras mãos, só podem ser vistos por poucos religiosos e por  pesquisadores. São documentos, pergaminhos, miniaturas, Bulas papais e outros testemunhos de toda a história do Cristianismo até nossos dias. Compreensivelmente, eles estão guardados, por segurança e conservação, a seis metros abaixo do solo. Não se pode perder esse tesouro da humanidade. Tudo isso faz parte da História de 2000 anos da Igreja e do mundo, e não pode ser danificado ou vendido. Nada há no mundo tão precioso! 

Não há motivo, portanto, para se falar, maldosamente, da “riqueza do Vaticano”... Qualquer Chefe de Estado de qualquer pequeno país tem à sua disposição, no mínimo um avião. Nem isso o Papa tem. Nem aeroporto existe dentro do Vaticano. Nem um helicóptero para servir ao chefe de 1,2 bilhões de católicos. E a Igreja é a Instituição que mantém o maior número de representação diplomática na terra, cerca de 180.  

Socorre o mundo inteiro

O Vaticano tem  um órgão encarregado da caridade do Papa, o Cor Unum. No final de cada ano é publicada no jornal do Vaticano, o L’Osservatore Romano, a longa lista de doações que o Papa faz a todas as nações do mundo, inclusive o Brasil, especialmente para vencer as flagelações da seca, fome, terremotos, etc. É uma longa lista de doações que o Papa faz com o chamado óbulo de São Pedro, arrecadado dos fiéis católicos do mundo todo. 

A Igreja Católica nesses dois mil anos sempre fez e fomentou a caridade. Muitos hospitais, sanatórios, leprosários, asilos, albergues, etc., são e foram mantidos pela Igreja em todo o mundo. Quantos santos e santas, freiras e sacerdotes, leigos e leigas, passam a sua vida fazendo a caridade… Basta lembrar aqui alguns nomes: São Vicente de Paulo, D. Bosco, São Camilo de Lelis, Madre Teresa de Calcutá…  a lista é enorme! 25% das instituições que cuidam dos aidéticos no mundo todo são da Igreja; sem falar nos leprosários, orfanatos, creches, asilos, casas de recuperação de drogados…
 
A Santa Sé, além do território de
0,44 Km quadrados, correspondente ao Estado do Vaticano, possui dois tipos de bens imóveis em Roma: 1 - as que gozam de estatuto próprio definido pelo Tratado de Latrão, em 1929; e 2 - as que estão sujeitas ao Estado italiano para fins de impostos e taxas. São as basílicas ; a residência pontifícia de Castel Gandolfo, as sedes da Universidade Gregoriana, do Instituto Bíblico, do Instituto Oriental, do Instituto de Arqueologia Cristã, do Seminário Russo, do Colégio Lombardo, os dois palácios de Santo Apolinário e a casa de Retiros dos SS. João e Paulo. Isto é o que restou de todo o antigo Estado Pontifício que cobria boa parte da Itália.  

Quem fala da “riqueza”  da Igreja é porque não a conhece bem, e não sabe a imensidão do seu trabalho e da sua missão. Afinal, que Instituição recebeu missão tão grande de Deus, de salvar a todos?


Pe. Clovis Bovo, CSsR