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Comunicação na liturgia
“Quando se fala no modo de se comunicar, entende-se que a comunicação está presente e precisa ser cuidada em todos os momentos: na acolhida, no ambiente, nas pessoas que comunicam a Palavra de Deus, a qual ilumina cada uma dessas situações, pois ela é viva e eficaz.”. Foi com essa lembrança que a Irmã Helena Corazza abriu o encontro sobre Comunicação e Liturgia, no dia 18 de setembro passado, no auditório da Cúria Metropolitana.
A religiosa paulina é atualmente a presidente da RCR - Rede Católica de Rádio, e é autora do livro Comunicação e Liturgia na Comunidade e na mídia, publicado por Paulinas Editora. Neste trabalho, a religiosa apresenta uma reflexão prática. Ela parte do princípio que “o ato de se comunicar é o meio pelo qual todo ser se socializa com os demais, estabelecendo uma troca de informações e experiências entre determinados grupos, seja de forma primitiva ou mais moderna”.
Ao falar de comunicação litúrgica, Ir. Helena lembra que não é necessário pensar nos meios e nas técnicas que temos hoje, mas nos veículos que nos ligam diretamente com a Igreja e com Deus. “A Palavra de Deus é um bem muito precioso, e quando ela passa pelos meios de comunicação, tem um poder ainda maior de mover e moldar a nossa fé”.
Símbolos - Na liturgia, a comunicação é simbolizada através de sinas sensíveis, que têm o objetivo de nos santificar e nos ligar diretamente com o mistério celebrado. A liturgia, sendo uma ação simbólica, é onde revivemos o mistério da vida, morte e ressurreição de Jesus. Utiliza a linguagem simbólica, para nos comunicar e recordar o mistério. A assembleia, a Palavra, a água, o pão, o vinho, o óleo, o fogo, enfim, tudo é simbólico e tem um significado dentro da celebração e da própria caminhada da Igreja. “Sendo assim, devemos ter cuidado ao prepará-los, já que todos esses símbolos promovem a sintonia e fazem com que a liturgia se enriqueça, principalmente ao ser cantada, proclamada, encenada ou até mesmo em silêncio”, explicou Ir. Helena.
A religiosa lembrou que há aqueles que “se comunicam demais e acabam atrapalhando as celebrações, e outros se comunicam pouco”. Por isso, é necessária preparação. E para a comunicação na liturgia ser eficiente, é preciso estar atento a algumas práticas na ação litúrgica:
- A Igreja deve ser um lugar acolhedor, então todos devem se sentir acolhidos. Seja pela equipe de acolhida, como pelo celebrante ou o ministério. Afinal, todos vêm em busca de Deus e querem sair melhores da celebração.
- Os comentários, a proclamação da palavra, as músicas, teatro, danças ou outro meios de comunicação, devem estar em sintonia com a liturgia.
- Trabalharmos o modo de ler e falar, pois cada texto tem um modo de ser lido. Sabermos usar as palavras, a pontuação (sinais gráficos que dão vida ao texto), as palavras difíceis (pronúncia), a postura (modo que me apresento no altar), as vestes (não só as cores, mas o tipo de roupa) e as expressões, que dependem de conhecer o conteúdo do mistério celebrado.
- Estudarmos os textos antes e como tudo acontece, saber o que os textos dizem, imaginar a cena. Tudo isso está ligado com toda celebração.
- A nossa voz revela o estado que estamos, sendo assim, temos que passar coisas boas. Pois é o anúncio da boa nova a todos que estão famintos e com sede de Deus. Devemos entender o que diz e acreditar na palavra proclamada. O modo com que leio ou proclamo, deve favorecer a compreensão do texto.
- É preciso estar atento ao tempo, pois a celebração é cheia de pausas e momentos de silêncio que precisam ser respeitados.
- Exercícios vocais, tanto para leitura quanto para música, ajudam no desempenho da pronúncia das palavras.
- Nas comunicações finais, os avisos devem ser reforçados, pois é no final que todos ficam mais distraídos e acabam não prestando a devida atenção.
- A assembleia também participa com gestos, o modo de posicionar e olhar, modo de escutar, de perceber. É preciso valorizar essa participação.
Proclamação da Palavra - A Bíblia também possui gêneros literários, e cada tipo de leitura dependerá do tipo de texto que será lido ou proclamado. O gênero narrativo geralmente conta uma história, um fato, sendo drama ou uma ação. “Podemos perceber isso nos Atos dos Apóstolos, nas Epístolas, que são textos de exortação, de ensinamentos e catequese, como também nas cartas de Paulo, João, Pedro e outros”, explicou Ir. Helena. O gênero poético pode ser texto de louvor, de penitência ou súplica.
O comentarista ou animador litúrgico é àquele que conduz a celebração, ajudando a assembleia a celebrar. Deve falar somente o necessário e estar em sintonia como presidente da celebração e o avisar sobre possíveis mudanças. Evitar falar coisas desnecessárias, as que a assembleia já faz por tradição como: ficar de pé, sentar, e outras. Nas igrejas que utilizam o recursos do folheto, ficar atento aos títulos, que geralmente vem em destaque no folheto, pois algumas partes não têm necessidade de serem lidas, como por exemplo “Primeira Leitura”.
“É preciso que todos estejam atentos com as demais equipes, como o presbitério e com a assembleia, auxiliando todos nas respostas, sem sobrepor sua voz à da assembleia ou da equipe do canto”, ensinou a religiosa.
Ir. Helena lembrou também que o silêncio é tão importante na comunicação quanto a fala. “Se Deus comunica conosco no silêncio, precisamos saber a hora de fazê-lo. No ato penitencial, Deus se revela e se comunica através do perdão, em nosso silêncio interior”. A religiosa disse aos participantes do encontro que a música ajuda nesse momento de interiorização.
As ações apresentadas têm como função ajudar cada um a ter uma aproximação maior com Deus através da liturgia. São atitudes práticas, que valem tanto para o ministério da liturgia quanto para a assembleia. Tudo isso proporciona uma sintonia da igreja com o mistério celebrado, que por sinal é vivido em cada comunidade.
Dênis Bruno Rios
é membro de equipes litúrgicas,
da Pascom e estudante de Letras.
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