Pe. Ângelo Licati inicia uma nova série de artigos sobre a multiplicidade das invocações e títulos presentes no texto da novena perpétua. Eles revelam para cada fiel os diversos ângulos sob os quais olhamos para Nossa Senhora. Todos eles têm uma única finalidade: despertar a confiança na intercessão da Mãe de Deus.
Todos estamos plenamente conscientes de que Nossa Senhora não é deusa, não é onipotente como Deus, mas também sabemos que Maria é a pessoa mais amada pela Santíssima Trindade, pela sua plena e total participação na vida e na missão de seu Filho Jesus. Estamos conscientes de que a missão de Maria é trazer-nos o Cristo, facilitando nosso encontro com Ele, como rezamos na introdução da novena perpétua. Por que, então, a multiplicidade de invocações? Vou tentar dar uma explicação: todos nós passamos por momentos e sentimentos diversos, todos os dias, durante a vida inteira.
Diante disso, há invocações que mais se adotam a este ou a outro momento. Questão de gosto e de preferência, assim como há pessoas que gostam desta ou daquela comida, e sentem-se bem fazendo isso.
Mas, examinando mais profundamente o conteúdo da novena, podemos fazer uma ligação lógica entre as invocações e os pedidos e situações que apresentamos em nossas preces. São mais ou menos trinta situações (pessoais, familiaresou comunitárias) para as quais suplicamos a intercessão de Nossa Senhora, e imaginamos que no coração e na alma de Maria, haja sensibilidade maior, quando rezamos por estas ou aquelas necessidades.
A segunda reflexão se dirige, portanto, para a multiplicidade de situações para as quais suplicamos a intercessão de Nossa Senhora. Não é novidade para ninguém que somos pessoas limitadas e carentes. Além da limitação natural, como criaturas humanas, nossas carências aumentam ainda mais, causadas por fatores externos, e

também como consequência do pecado que reina no mundo. E como existem milhões e bilhões de seres humanos, espalhados pela Terra, as carências também se multiplicam quase que ao infinito.
Dentro deste contexto de uma misericórdia infinita de Deus, administrada pelo coração materno e misericordioso de Maria, nossa novena extrapola os limites de uma devoção pessoal e individualista e adquire a qualidade de uma oração universal: rezamos e pedimos por todos os seres humanos necessitados de proteção e misericórdia de Deus.
Tentamos ser misericordiosos como o Pai do Céu é misericordioso. Mas, não será suficiente lembrarmo-nos das pessoas necessitadas: devemos abrir nosso coração para a compaixão e, na medida do possível, abrir também nossas mãos, nossos bolsos e bolsas, para aliviar, ao menos um pouco, os carentes que estão mais próximos de nós. Deixo como força motora para esta série de artigos sobre a novena a advertência do apóstolo São Tiago: “Meus irmãos, se alguém diz que tem fé, mas não tem obras, que adianta isso? Por acaso, a fé poderá salvá-lo? (...) A fé, sem obras, está completamente morta.” (1Tg 2,14-17).
Pe. Ângelo liCati, C.ss.r.
Missionário Redentorista