É comum sermos abordados por pessoas desconhecidas que pedem a nossa ajuda. Seja na rua, na igreja, no semáforo ou até mesmo em casa. Isto sempre causa nas pessoas vários tipos de reações. Um dia presenciei uma situação em uma igreja que pode nos ensinar muito. Uma senhora veio falar com o padre que havia uma pessoa precisando de dinheiro para comprar uma passagem. Pude ouvir o padre dizer que era para fazer conforme a igreja faz: tem uma equipe que leva a pessoa e coloca-a no ônibus. É uma orma de saber se a pessoa realmente precisa da passagem ou era apenas do dinheiro.Já aconteceu comigo: ajudei uma pessoa que dizia estar com fome. Ofereci um sanduíche, mas logo em seguida fiquei sabendo que a pessoa havia jogado fora. Infelizmente muitas pessoas pedem ajuda apenas para alimentar seus vícios ou outras coisas.
Jesus nos ensina que precisamos ajudar as pessoas sem distinção. No entanto, precisamos nos alertar para alguns cuidados: para muitas pessoas, pedir ajuda se tornou uma profissão. É preciso ajudar, mas dependendo da ajuda que oferecemos estamos contribuindo para que pessoas continuem nas ruas. Hoje temos várias formas de ajudar essas pessoas, assim como a exemplo de diversas paróquias, inclusive a nossa, que ajudam através do Centro de Assistência Social e da Pastoral de Rua, com café da manhã, almoços, jantares e acolhendo não só moradores de rua como pessoas que precisam. Nesse caso, este trabalho é feito com a união de muitas pessoas que doam roupas, alimentos, dinheiro e outras coisas. Não conhecem para quem vai essa ajuda, mas
acreditam que terá bom uso.
Um dos exemplos que Jesus deixa é a parábola do bom samaritano. Depois de ter sido assaltado, maltratado e ter ficado no chão quase morto com ferimentos, passaram por ele um sacerdote e um levita, que não fizeram nada. Em seguida veio um samaritano, que era malvisto por todos. No entanto, foi o que prestou ajuda, assumindo toda responsabilidade por aquele desconhecido. Ele se compadeceu e mesmo sendo samaritano agiu com o mesmo amor que Jesus pede para que amemos uns aos outros: um amor prestativo. O sacerdote e o levita, que eram os intelectuais da época, ficaram sem entender a profundidade do mandamento divino, ao passo que homens simples como o samaritano, talvez mesmo sem tanta formação cultural, mas com um bem inestimável: o coração bem formado para amar o semelhante.
O samaritano não perguntou, não investigou, não suspeitou, apenas ajudou. Não lhe interessou saber se o pobre irmão possuía esta ou aquela posição social, esta ou aquela religião, se era rico ou pobre. Somente viu nele um irmão necessitado de auxílio imediato. O samaritano foi misericordioso, não julgou mal. Foi paciente e benigno, não se conduziu inconvenientemente, não procurou interesses pessoais, não se exasperou, não se sentiu superior, e com certeza entristeceu-se com a injustiça. Como diz o Apóstolo São Paulo: O amor é um dom supremo. Este samaritano não falava a língua dos anjos, não profetizou, não demonstrou conhecer ciências e filosofias, entretanto foi realmente o anjo do seu próximo, como disse Jesus (Lc 10,25-37).
A solidariedade é um reflexo da gratidão que temos para com Deus. Assim nos dispomos a dividir o que temos com quem também precisa. Essa ajuda não está ligada somente com o fato de darmos algo concreto, mas principalmente quando partilhamos nossas palavras e a nossa vida com nossos irmãos. Sendo assim, jamais caminhamos sozinhos e isso nos dá forças para juntos caminharmos. Hoje em diahá muitas crianças que crescem sem ao menos aprender a dividir um brinquedo com outra criança. Outras crescem como uma disputa de quem possui mais coisas. Infelizmente é algo que prejudica seu desenvolvimento social e de comunhão com outras crianças, o que futuramente irá influenciar seu comportamento. O maior dom é o amor. O samaritano possuía esse dom. Façamos nós o mesmo.