Rezamos pelo Povo de Deus

Na primeira Aliança, a expressão “Povo de Deus” tinha um significado muito particular. Embora sendo “um”, na multiplicidade de outros povos, Israel – povo de Deus – começou a existir porque foi escolhido por Deus, não pela sua importância ou grandeza, mas porque Deus o amou.
Intercedemos na novena perpétua por todos nós, que temos a missão de viver em unidade e levar a salvação
O primeiro pedido rezado na novena perpétua é este: “Pelo povo de Deus no mundo inteiro”. Vamos aprofundar o significado deste pedido. Na primeira Aliança, a expressão “Povo de Deus” tinha um significado muito particular. Embora sendo “um”, na multiplicidade de outros povos, Israel – povo de Deus – começou a existir porque foi escolhido por Deus, não pela sua importância ou grandeza, mas porque Deus o amou. Esse amor se fez Aliança com compromissos e deveres recíprocos: Javé-Deus se tornou parceiro do seu povo.
É daqui que tem início da nova história da Salvação. Comprometido com seu povo, Deus o protege e o liberta das escravidões e dos inimigos. Mas exige dele fidelidade: “Eu sou o Senhor, teu Deus;não terás outros deuses perto de mim”. Confirmam a Aliança, com a oferta de vítimas e com a aspersão do sangue das vítimas. Como sinal perene desta aliança, Javé pede um sinal, marcado na carne do homem: a circuncisão. Da Aliança, unida ao sinal visível, nasce o “Povo de Deus”. Este povo tem características próprias: é um povo consagrado, diferente de todos os outros povos. Sua missão principal é conservar a fé no Deus único e verdadeiro, e como “povo sacerdotal”, oferecer sacrifícios de louvor e ação de graças. Ele é também um povo que faz a mediação entre Deus e todos os outros povos. É, por meio dele, que todas as nações serão abençoadas. Este povo da primeira Aliança simbolizava e anunciava o “novo povo de Deus”.
A Constituição “Lumem Gentium”, do Concílio Vaticano II, descreve assim a passagem do primeiro para o segundo povo: “Tudo isso aconteceu em preparação e figura para aquela nova e perfeita Aliança que se estabeleceria em Cristo, e para transmitir uma revelação mais completa, através do próprio Verbo de Deus feito carne” (LG 9). “Este novo povo de Deus não se constitui pela geração da carne e do sangue, mas nasce do Espírito Santo: os que crêem no Cristo, os que renasceram não da semente corruptível, mas incorruptível pela palavra do Deus vivo, não da carne mas da água e do Espírito Santo são, finalmente constituídas em linhagem escolhida, sacerdócio régio, nação santa povo adquirido, que outrora não eram, mas agora são “povo de Deus” (LG 9).
Este povo messiânico tem por cabeça Cristo “o qual foi entregue por nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação” (Rm 4,25). Este povo tem como distintivo a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus. Sua lei e seu mandamento é o Amor: Amar como Cristo nos amou, sua meta é o Reino de Deus, iniciado pelo próprio Deus aqui na terra, que deve se estender pelo mundo inteiro, e perdurar até chegar à perfeita liberdade dos filhos de Deus (Rm 8,21).
Este povo de Deus, embora apareça como “pequeno rebanho”, tem a missão de ser um sinal de unidade, esperança e salvação. Este povo novo é chamado Igreja de Cristo Jesus, tem uma grande missão aqui neste mundo: ser um sacramento e sinal de salvação, apontando o caminho e convocando todas as pessoas para participarem da Alegria e da Glória de serem filhos de Deus, e herdeiros de Deus e da vida eterna.
Nossa prece, nas novenas, se estende a todas convocando- os para a unidade e para a salvação definitiva.
Pe. ÂnGelo LicaTi, C.ss.r.
missionário redentorista
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