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Rezamos pela paz


Nas novenas perpétuas, pedimos que o fruto da justiça e do amor se faça presente em nossa vida

Logo após pedir pelo Povo de Deus, fazemos o pedido pela paz, “pela paz que é fruto da justiça e do amor”. A pessoa humana anseia pela paz desde o mais profundo do seu coração. Estudemos um pouco mais sobre o sentido da paz, e os caminhos para encontrá-la. Vamos ouvir, da Palavra de Deus, o que signifi  ca a paz, e conhecer os caminhos que nos levam à paz. Na linguagem da Bíblia, paz signifi ca a tranquilidade que provém de uma ação ou obra acabada: a  sensação de quem fez uma viagem agradável, ou de quem acabou de construir sua casa. A paz não é apenas a ausência da guerra: é muito mais, signifi ca o bem-estar da existência cotidiana, a harmonia em que vive uma pessoa que está bem com a natureza, com as outras pessoas, consigo mesmo e com Deus. Numa palavra: a plenitude de todos os bens.

Quem está em paz sente alegria, gozo, felicidade, amor à vida. Pedimos, na oração da novena, “a paz que é fruto da justiça e do amor”. A Bíblia Sagrada  adverte com severidade: “não existe paz para os malvados” (Is 48,22). Quando os direitos das pessoas e dos povos estão sendo violados e destruídos, não existe a paz, pois a paz é “fruto da justiça" (Is 32,17). Traduzindo a justiça para as situações concretas da existência humana, podemos dizer que haverá a paz quando há moradia digna, alimentação saudável, segurança para viver, dormir sem angústias e medos, realizar-se como pessoa humana, na plena  capacidade do corpo e da mente.

A paz é a posse e usufruto de todos os bens necessários para uma vida humana digna. A paz é um dom de Deus, e ao mesmo tempo uma conquista do  homem. Jesus prometeu a paz para seus discípulos: “Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz.  A paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá: não fi quem perturbados, nem tenham medo” (Jo 14,27). Bem diferente é o sentido da paz, dado pelos poderosos deste mundo: para eles, paz  signifi ca ausência da guerra, ou a vitória sobre os inimigos; por isso, afi rmam “se você quer a paz,  prepare-se para a guerra”. Partindo deste princípio   maquiavélico, é que os povos e as nações se armam umas contra as outras. A fortuna que os países gastam preparando-se para uma eventual guerra, seria suficiente para dar casa, alimentação, saúde e estudo para todos os necessitados do mundo.

A violência, manifesta ou oculta, nunca poderá produzir a paz, porque destrói a justiça. A paz é o conjunto de todos os bens, por isso, será sempre desejada, mas nunca alcançada durante nossa existência terrena. A utopia da felicidade plena e total só será atingida pela posse, plena e total, daquele que é a  plenitude de todos os bens: Deus. Nossa oração pedindo “a paz que é fruto da justiça e do amor” está pedindo que o mundo reconheça, aceite, respeite e  adore o Deus da Justiça e do Amor. Nossa oração se torna universal, extrapola os limites de nossos interesses pessoais, e se espalha pelo mundo pedindo  que o reinado de Deus chegue a todos os povos e nações. E isto, nós estamos pedindo pela intercessão de Maria, Mãe do Príncipe da Paz, seu fi lho Jesus,  que nos prometeu dar a sua paz, diferente da paz que o mundo dá. “Ele, Cristo Jesus, é a nossa Paz” (Ef 2,14).

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Pe. Ângelo Licati, C.ss.r.
Missionário redentorista