A caridade segundo o Apóstolo Paulo
Fazer caridade é algo muito mais profundo do que apenas dar o que nos sobra aos carentes
Quando ouvimos falar em caridade é inevitável pensar em dar esmola, levar comida aos necessitados, comprar uma rifa beneficente, entre outras coisas. Sendo assim, será que se fizermos tudo isso nossa consciência pode ficar tranquila do dever cumprido como cristãos? Para muitos talvez sim, mas para outros é apenas o começo.
São Paulo mostra aos cristãos de Corinto que a caridade é algo muito mais profundo e importante do que apenas dar o que nos sobra aos carentes. Embora isto também seja um ato de caridade, não resume a grandiosidade desta virtude. Para falar sobre as virtudes cristãs nas cartas do Apóstolo Paulo, podemos começar com o capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios. Este capítulo foi chamado “o hino da caridade” (ou do amor), e nos mostra, com toda a clareza desejável, a posição que, segundo São Paulo, tem a caridade no conjunto das virtudes cristãs, no conjunto de toda a vida cristã. O Apóstolo usa a palavra grega ágape. Em latim, quer dizer “caritas”; daí vem a palavra portuguesa “caridade”. Trata-se daquele amor de Deus que, segundo Rm 5,5, está em nós pelo dom do Espírito Santo: “E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Este amor é o próprio amor de Deus, comunicado a nós como uma participação do amor com que Deus mesmo ama. A origem deste amor é, portanto, Deus mesmo; a origem é o Pai que nos enviou seu Filho e o Espírito Santo. É o amor que vem de Deus e volta para Deus, pois com este amor nós podemos amar a Deus com o amor com que Ele mesmo nos ama. E com este amor de Deus para com os homens, nós também podemos, então, amar os homens, a exemplo do amor de Deus, de Cristo para com os homens pecadores. Por isso, São Paulo exortou aos cristãos de Éfeso: “Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor” (Ef 5,2).
Para São Paulo, a virtude da caridade deve ser para o cristão uma resposta ao dom do amor divino, imitando a Jesus, conforme 1 Cor 13.
“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!” Os atos mais heroicos não têm valor para a vida eterna, para a vida de união com Deus, se não forem animados, vivificados, penetrados pelo amor.
Em seguida, São Paulo nos apresenta características desse amor: “a caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. O que significa tudo isso? Significa que a caridade não é simplesmente uma das virtudes da vida cristã, mas ela resume em si todas as virtudes. Pois quem tem a verdadeira caridade, quem verdadeiramente se deixa determinar, em seu pensar, falar, agir e desejar, pela caridade, este não faz o mal, pois pratica todas as virtudes da nossa fé. “Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei” (Rm 13,8-10).
Dênis Bruno rios
integrante da Catolick rock Band e
colaborador do Matriz
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