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Rezamos pelos pobres

A exemplo de Jesus somos convidados a colocar nossa segurança em Deus e não nas riquezas


Chama a nossa atenção a preocupação da novena perpétua a qual, depois das intenções gerais, “Povo de Deus e a paz”, se volta inteiramente para os principais destinatários de nossas preces: os pobres. Num mundo dividido entre ricos e pobres, a novena prestigia os pobres. E não podia ser de outra  maneira, porque o pobre, pelo simples fato de ser pobre, ocupa um lugar especial no coração de Deus. Já no Antigo Testamento manifesta-se com insistência  esta predileção de Deus pelos pobres.

Havia, no Antigo Testamento (e existe ainda hoje...), uma mentalidade de que Javé abençoava e recompensava os cumpridores da Lei, com riquezas e bens materiais. Como os pobres eram ignorantes e não conheciam a Lei, eram considerados pecadores, e como castigo eram privados até dos bens necessários para a vida. Assim, eles eram estigmatizados duas vezes: porque eram pecadores e como castigo eram pobres. Dentro desse contexto, Javé,  justo e misericordioso, se apresentou como o defensor dos pobres, dos órfãos e das viúvas.

Enquanto o rico confiava em sua riqueza para viver e ser feliz, o pobre só tinha Javé como seu defensor. O rico está sempre tentado a ser idólatra, confiando em suas riquezas, e se esquecendo de Deus. A adoração do bezerro de ouro foi sempre a grande tentação dos que possuem muitas riquezas.

Se no Antigo Testamento os pobres eram considerados ignorantes e pecadores, e por isso castigados por Deus, nos tempos de hoje o pobre sofre com  sua pobreza, e ainda é chamado de preguiçoso e vagabundo.

Jesus começa a sua pregação, no Sermão da Montanha, proclamando “Felizes os pobres  em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3). Com esta afirmação condena a falsa ideia de  que o pobre é pobre porque é pecador e por isso merece ser castigado com a falta dos bens necessários para  viver. O próprio Filho de Deus quis nascer pobre, entre os pobres, levando uma vida pobre, morrendo na maior pobreza, e sendo enterrado em túmulo  emprestado.

A exemplo de Jesus, que “de rico se fez pobre para nos enriquecer com sua pobreza” (2 Cor 8,9), somos convidados a colocar nossa segurança em Deus  e não nas riquezas. Se a pobreza é uma virtude, a miséria e a falta dos bens necessários para uma vida digna é uma injustiça que clama aos céus. Nossa  atenção e nossa prece visa todos os que são empobrecidos por causa da injustiça. Os bens deste mundo foram dados por Deus. Assim como Maria proclamou em seu cântico, pedimos que chegue a hora em que “os poderosos sejam derrubados de seus tronos, os humildes sejam exaltados e os  famintos sejam saciados de bens” (Lc 1,52-53).


Pe. Ângelo Licati, c.Ss.R.
Missionário Redentorista