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O dom o celibato
Assim como os votos religiosos de pobreza e de obediência, o celibato é um conselho de perfeição de Cristo para alguns, e não para todos.
O celibato é visto de forma diferente por diferentes grupos cristãos. A Bíblia ensina que o celibato é um estado de honra e de doação a Deus. O apóstolo Paulo escreve na Primeira Carta aos Coríntios 7,7, “Pois quereria que todos fossem como eu; mas cada um tem de Deus um dom particular: uns este, outros aquele”. Através do celibato, o padre assume o mesmo papel de Jesus quando ensinava aos discípulos e ao povo, pois Jesus é a cabeça da Igreja e ela é a noiva de Jesus. Da mesma forma o padre se torna esposo da Igreja, através da sua dedicação total. No evangelho de Mateus a palavra diz: “Todo aquele que tiver deixado casa, irmãos ou irmãs, pai ou mãe, mulher ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá o cêntuplo e a vida eterna” (Mt 19, 29).

Assim, o padre procura viver como Jesus viveu. Na Matriz de Campinas, o pároco e reitor, Pe. Walmir Garcia, explica o dom da vocação sacerdotal no celibato. “O celibato é uma escolha livre de uma pessoa que não deseja se casar. Inicialmente a palavra pode ser entendida assim, mas existe o celibato sacerdotal, que também é uma escolha livre de um homem que escolhe servir a Deus e à sua Igreja como sacerdote. Muitos veem este estado de vida como imposição da Igreja, mas isso não expressa a verdade, pois a pessoa é livre para escolher outros estados de vida e servir a Deus como evangelizador. Se o homem escolhe a vida sacerdotal este já deve tomar consciência de que sua escolha implica em viver este estado de vida, que deve ser assumido contando com a graça de Deus. Há um ditado que diz “Deus capacita os escolhidos”, por isso o escolhido a ser padre deve contar sempre com essa capacitação que vem de Deus. Muitos hoje em dia questionam este stado de vida, dizendo ser impossível para o homem viver sem sexo. Claro, vivendo num mundo extremamente hedonista, onde tudo gira em torno de sexo se torna impossível, para os questionadores, que alguém seja capaz de viver algo diferente, não fazendo do sexo uma exploração e busca do prazer só pelo prazer. O “mundo” é hostil a estas alternativas de vida, pois o incomoda. Jesus viveu como celibatário e nos deu prova de que é possível viver assim. São Paulo aconselha aos evangelizadores que vivam como ele viveu, como celibatário, por isso podemos dizer que o celibato e a castidade são um caminho que pode ser vivido por alguns, claro que não é para todos e nem pode ser. Se o casamento e a atividade sexual fossem o único caminho para a felicidade e realização do homem e da mulher, não existiria tanta gente frustrada e infeliz em seus relacionamentos a dois. O matrimônio deve ser assumido com amor, assim como qualquer estado de vida. Creio neste estado de vida e creio na possibilidade de vivê-lo plenamente.
Que saibamos apoiar quem assume este estado de vida e acima de tudo, que possamos rezar pela perseverança dos que escolhem esta modalidade de vida”. (Pe. Walmir Garcia, C.Ss.R.) O celibato, assim como os votos religiosos de pobreza e de obediência, são conselhos de perfeição de Cristo para alguns, e não para todos. Faz os votos quem quer. São Paulo, tratando do problema do casamento e do celibato diz: “O que está sem mulher está cuidando das coisas que são do Senhor, de como há de agradar a Deus; mas o que está com mulher está cuidadoso das coisas que são do mundo, de como há de dar gosto à sua mulher e anda dividido. E a mulher solteira ou virgem cuida nas coisas que são do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito, mas a que é casada cuida nas coisas que são do mundo, de como agradará ao marido” (I Cor 7, 32-35). Por isso, a Igreja determina o celibato dos sacerdotes.
No desejo de mostrar novas perspectivas na compreensão do seu valor, bem como conscientizar- se da necessidade de novos caminhos que possibilitem a formação para a vivência madura, plena e frutuosa do dom do celibato na vida e na missão da Igreja, que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) organiza o Simpósio Nacional Dom do Celibato. Com o tema “Perspectivas históricas, teológicas e canônicas do dom do Celibato na Igreja e a cultura contemporânea”, o objetivo do Simpósio é retomar à luz da tradição e em diálogo com a sociedade contemporânea a centralidade do tema Celibato. Acontecerá em Belo Horizonte, de 21 a 23 de novembro. Diversas autoridades da Igreja vão participar do encontro, que contará com a presença do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, cardeal William Joseph Levada.
Denis Bruno Rios
Colaborador do Jornal Matriz
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