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Pelos injustiçados

Rezamos na novena perpétua por aqueles que ainda não têm “a vida em abundância”, que é projeto de Deus para todos

Ao analisarmos as causas da marginalização dos milhões de seres humanos, descobrimos a raiz mais profunda: a injustiça. Os marginalizados são  pessoas vítimas da injustiça. O papa João Paulo II, no discurso inaugural da Conferência de Puebla, assinala a injustiça como a causa principal da  pobreza, da fome, da marginalização. “Vemos, à luz da fé, como um escândalo e uma contradição com o ser cristão, o abismo crescente entre ricos e  pobres. O luxo de alguns poucos converte-se em insulto contra a miséria das grandes massas”.Toda pessoa marginalizada é uma pessoa  injustiçada. A situação da marginalização e desta pobreza, numa análise mais a fundo, revela que ela é produto de determinadas situações e estruturas econômicas,  sociais e políticas, além de outras causas.

Nossa Carta Maior, a Constituição de 1988, no artigo 5º, diz assim: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se Há, portanto, um direito à vida digna, à liberdade, à igualdade, que não são respeitados. Por isso, afirmamos que há uma injustiça na sociedade. O  documento de Puebla revela para nós o rosto destes injustiçados. A lista é grande, e provoca dor e compaixão:

– Feições de crianças, golpeadas pela pobreza, antes de nascer, marcadas por deficiências congênitas para o resto da vida;

– crianças abandonadas e exploradas sem família;

– jovens desorientados e frustrados,sem saber o que fazer;

– feições indígenas e dos afro-americanos, segregados e discriminados nas periferias...

– feições de operários, mal remunerados;

– os desempregados e os subempregados;

– os idosos, cada vez em maior número, postos à margem da sociedade

– como seres descartáveis (Puebla 32- 40).

Estas situações:

1) O sistema capitalista e também o comunista, que desconhecem o valor da pessoa humana. O lucro, a todo preço, mesmo com a  vida dos injustiçados;

2) O subdesenvolvimento, que nos torna dependentes e até escravos das nações ricas e poderosas;

3) A crise de valores morais: a corrupção pública e privada, a ganância de lucros desmedidos;
 
4) A apatia e a falta de esforço e de interessepara tentar reverter esta situação (Puebla 64-70).

O texto de nossa Novena Perpétua, com poucas palavras, mas com uma sensibilidade cristã, clama ao Céu e pede a mediação da Mãe do Perpétuo  Socorro para que desapareça e seja destruída esta situação de injustiça, que humilha e destrói nas pessoas sua dignidade fundamental de seres  humanos, e mais ainda: de filhos de Deus!
Pe. Ângelo Licati, C.Ss.R.
Missionário Redentorista