Home Educação da Fé Rezamos pelos oprimidos

Pedimos pelos oprimidos


É preciso que a nossa oração não seja apenas a repetição de frases feitas. Precisamos vivenciar as tristes situações e pedir à Mãe do Perpétuo Socorro que venha em auxílio dos oprimidos.

Nas intenções gerais da Novena Perpétua, aparece mais uma classe social, vitima da exploração e da injustiça: os oprimidos. Vamos refletir sobre o  sentido maléfico deste termo: oprimidos. É o particípio passado do verbo oprimir, que significa apertar, comprimir, afligir, esmagar, aniquilar. Os  oprimidos são, portanto, os apertados, afligidos, esmagados e aniquilados, sem saída, e sem esperança.

O oprimido faz lembrar o opressor. Ninguém  é oprimido, esmagado, aniquilado se não houver um opressor. Há, portanto, uma situação de violência e injustiça. Quem pode ser o  opressor? O poder injusto, a ditadura, a irracionalidade dos brutos, as situações criadas pelo poder econômico, o preconceito, a discriminação, a  intolerância, o racismo, as paixões descontroladas, as drogas, a homofobia, a intolerância religiosa, o fanatismo... E os oprimidos, quais são?

Tomemos emprestado o olhar compassivo e  materno da Mãe do Perpétuo Socorro, para ver os oprimidos, com olhos de misericórdia e compaixão, sem julgar, sem condenar. Conforme a violência do opressor, maior será a angústia dos oprimidos. O Estado, com a insensibilidade própria dos   carrascos anônimos, oprime os pobres e os fracos, com salários de fome; com impostos pesados, roubando deles a alegria e o gosto de viver. A  ausência quase total no atendimento à saúde pública, acarreta filas intermináveis nos postos de atendimento. E o fraco, o pequeno e o pobre, não  sabem para onde apelar. Na família, quando aparece um opressor ou opressora, as pessoas vivem a angústia que os leva quase ao desespero. As drogas, quando penetram os lares, causam os piores sofrimentos, sem encontrar solução.

A religião – qualquer que seja – vivida ou interpretada de  maneira fundamentalista – leva milhares de pessoas ao fanatismo, aumentando a opressão, para desespero e angustia dos oprimidos. Em casos extremos, a única saída possível é a auto-destruição, o suicídio.

Quantas mães, pobres, abandonadas, sozinhas, choram lágrimas quentes e abundantes, vendo seus filhos, pequenos ou jovens, morrendo às portas dos hospitais públicos, sem encontrar compaixão. O medo de viver, a falta de coragem de enfrentar situações extremas de miséria, ou de abandono, tornam-se um martírio  constante na vida de muitos pais e mães de família. Os bispos da América Latina e Caribe, reunidos em Puebla, fazendo eco para as angústias do  Papa João Paulo II, escrevem: “Do coração dos vários países que formam a América Latina está subindo ao céu um clamor cada vez mais  impressionante. É o grito de um povo  que sofre e que reclama justiça, liberdade e respeito aos direitos fundamentais dos homens e dos  povos (Puebla, 87).

Ninguém está desejando a guerra para acabar com as injustiças, mas é necessário que a nossa oração não seja apenas a repetição de frases feitas. Precisamos vivenciar essas tristes situações, e pedir à Mãe do Perpétuo Socorro que venha em auxilio e socorro aos oprimidos. Mais uma vez, Puebla  adverte: “Um clamor  surdo brota de milhões de homens pedindo a seus pastores uma libertação que não lhes chega de nenhuma parte. (...) O clamor  pode ter parecido surdo naquela ocasião. Agora é claro, crescente, impetuoso, e nalguns casos, ameaçador” (Puebla 88 – 89).

Mãe do Perpétuo  Socorro, socorrei os oprimidos.

Pe. ÂngeLo LiCati, C.ss.r.
Missionário redentorista