A dor, o sofrimento e a morte estão ligados a um fato, acontecimento catastrófico, no início da vida da humanidade. Nossos primeiros pais, agraciados com uma vida feliz, sem dores, sem doenças e sem a morte, quiseram fazer uma experiência ousada: conhecer, não somente o bem – que usufruíam em abundância, mas quiseram conhecer o mal e a morte: “no dia que vocês comerem o fruto (proibido), os olhos de vocês se abrirão, e vocês se tornarão como deuses, conhecendo o bem e o mal” (Gn 3,5).

Aqui está a chave para se entender a realidade da dor, da doença e da morte. Essas realidades existenciais, com as quais devemos conviver, não se situam como um castigo, uma maldição de Deus, mas como uma consequência da fragilidade humana e do mau uso da liberdade. Quem se afasta da alegria, experimentará a dor; quem se afasta da vida, receberá a morte. Da primeira e original catástrofe, disseminaram-se pelo mundo a dor, a doença, e a própria morte. Ser mortal, sentir dores, padecer doenças agora fazem parte da nossa frágil condição humana. Mas, esta condição humana não impede que usemos os meios válidos para curar as doenças, aliviar as dores, e prolongar a vida. Sabemos, pela fé, que todos esses condicionamentos humanos são passageiros, e que temos a certeza de retornarmos ao estado original, como fomos criados por Deus. São Paulo assim se expressa: “Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28).
E São João, no Apocalipse, fala para nós do “novo céu e da nova terra”, quando não haverá mais nem dor, nem pranto e nem morte”(Ap 21,1ss).
A esperança dos bens futuros deve nos confortar e ajudar em nossas dores e doenças, mas ela não aniquila essas dores. Por isso, nós, como peregrinos, companheiros e irmãos, devemos nos auxiliar uns aos outros. Jesus garante que aceita como se fosse feita a ele, a nossa compaixão para com os doentes: “Estive doente e me socorrestes”.
A novena perpétua, pedindo que rezemos pelos doentes, quer despertar em nós a compaixão e a misericórdia. É isto que o Apóstolo Paulo quer ensinar, quando escreve: “Sejam alegres na esperança, pacientes na tribulação, e perseverantes na oração. Sejam solidários!” (Rm 12,12-13).
A nossa oração deve levarnos a realizar fatos concretos: fazer visitas às pessoas enfermas, ajudar as pessoas que cuidam dos doentes, assumindo algum serviço, para aliviar essas pessoas; levar a Eucaristia para os enfermos. A novena perpétua, pedindo a cura para os doentes, faz questão de lembrar a espiritualidade da cruz: o sofrimento ou as doenças, olhadas em si mesmas, têm pouco valor, mas unidas e aceitas junto com o sacrifício de Jesus, tem um valor de salvação. “Se morremos com Cristo, com Ele ressuscitaremos” (2Tm 2,11).