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O ato de receber as cinzas não deve ser um mero ritualismo. Deve ser um sinal concreto de nosso desejo de conversão

O marco inicial é a celebração da Quarta-feira de Cinzas. Muita gente não sabe o significado desta celebração. Não entende o motivo de se colocar na cabeça as cinzas neste dia. Certo é que muita gente pensa que as cinzas perdoam  pecados. Há quem pense que é lícito fazer o que quiser com a própria vida durante os quatro dias de carnaval, desde que na quarta-feira esteja na igreja para receber as cinzas.


As cinzas que os cristãos católicos recebem neste dia é um símbolo da reflexão sobre o dever da conversão. São sinal da  fragilidade da vida humana, sujeita à morte. A expressão “Lembra-te de que és pó e para o pó voltarás”, convida a todos a refletir sobre a conversão. A  cerimônia das cinzas eleva nossas mentes à realidade eterna que não passa jamais. Eleva nossa mente Deus. Converter-se quer dizer: voltar a Deus, valorizando as realidades  terrenas sob a luz de sua Palavra. A Quarta- feira de Cinzas quer nos lembrar isto: somos frágeis, infinitamente necessitados da misericórdia de Deus,  limitados e extremamente carentes da graça de Deus.

É um dia de penitência, abertura de um tempo de conversão. Dia de abstinência e de  jejum, ações que a Igreja recomenda para este dia, mas que pode se estender por toda a Quaresma e por todo o ano, de acordo com as   possibilidades de cada um.

A penitência é uma expressão de nosso esforço de seguir a Cristo, procurando viver de acordo com sua palavra e jeito de viver. As cinzas não são um  sacramento: trata-se de um símbolo que nos lembra que iniciamos um tempo de voltar para Deus, buscando constantemente a reconciliação com ele  e com os irmãos. Este uso das cinzas na liturgia tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. Jó mostrou seu  arrependimento vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinzas (Jó 42,6). Daniel, ao profetizar a captura de Jerusalém pela Babilônia, escreveu: “Volvime para o Senhor Deus a fi m de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza” (Dn 9,3).

Lembramos que começamos a  Quaresma com as cinzas, e terminamos este tempo especial de nossa fé com a celebração da Páscoa, em que renovamos nossos compromissos batismais, e assumimos o compromisso de começar uma nova vida em Cristo.

Tenhamos muito claro que se nós aceitamos que nos imponham as  cinzas na cabeça, estamos expressando duas realidades fundamentais: primeiro, reconhecendo que somos criaturas mortais e frágeis; segundo,  sinalizar a nossa disposição de escutar a Deus, por quem somos chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus e sua proposta do Reino,  mudando nossa maneira de ver, pensar,  agir. Receber as cinzas não deve ser um mero ritualismo. É um gesto que deve tocar diretamente o nosso coração e nos fazer tomar uma atitude concreta, no propósito de mudança de vida e seguimento de Jesus.
 
Dênis Bruno Rios
Colaborador do
Jornal Matriz

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