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Reconhecer os próprios limites é o primeiro passo para o encontro consigo mesmo e com Deus


O tempo quaresmal, eminentemente penitencial, em preparação para a Páscoa, é o propício momento em que todos, fiéis batizados, são  convidados a intensificar a vida de oração, penitência e caridade, com realce especial ao jejum e à abstinência.

Contudo, só se compreende a Quaresma por intermédio do olhar de um Deus que se encarna, morre e ressuscita por amor a cada um. Deus mergulha na epopeia e tragédia da vida  humana para resgatar a todos das correntes do pecado e dar a vida eterna. A Quaresma está intimamente conectada com o desejo de felicidade e infinito, latentes em cada coração humano. Sem ela não se entende o ser cristão, sem ela não se entende os mistérios da indigência e da grandeza  humana.

O que impede o coração humano de encontrar a felicidade? Muitas são as respostas e os estudos científicos são apresentados diariamente nos  meios de comunicação. Buscam-se explicações psicológicas, sociais, econômicas, políticas, entre outras. Mas são poucos os que chegam ao fundo  do problema. A verdadeira e plena felicidade só será alcançada quando se passa pela via quaresmal, caminho de purificação e penitência, que liberta,  pela graça divina, dos grilhões do pecado. O pecado é o maior obstáculo que separa o homem de Deus. É tudo aquilo que priva as pessoas da graça  de Deus. Infelizmente, muitos estão  imersos numa cultura que o comercializa. O mais triste é que, ao buscar a felicidade, a humanidade parece  afundarse cada vez mais no lodo e morre sufocada pelo veneno do pecado, que destrói almas e sonhos. E é a própria sociedade que promove esse  tipo de vida, se questiona dos porquês dessas realidades que contaminam o mundo sem se importar com as condições econômicas ou sociais das pessoas.

O reconhecimento das misérias e fraquezas diárias é o primeiro passo para o encontro profundo consigo mesmo e com Deus. O pecado é a  desintegração da natureza e aliena nossa vida da realidade eterna a qual todos são chamados. Penitência não é masoquismo, mas o reconhecimento de modo concreto e visível da própria indignidade e necessidade da misericórdia divina. O salmo penitencial 51(50) exclama, com beleza poética, o  drama do pecado e a recuperação do rei Davi. A primeira coisa que o pecado ataca é a consciência, ou seja, a capacidade de perceber e distinguir o  mal e o bem. Deus conhece a cada um de nós, ama a verdade e ensina a sabedoria. Ele dá a felicidade, o júbilo e purifica de todas as iniquidades,  tornando-nos puros, “mais brancos do que a neve” (Sl 50). Ele nos dá um coração novo com a ajuda da penitência e do perdão sacramental. A via  quaresmal, bem vivida, despertará em todos um espírito firme e devolverá o júbilo da salvação. Que nesta Quaresma todos tenham a coragem de fazer  uma passagem profunda de purificação do pecado para a graça, no caminho bonito do itinerário do seguimento e discipulado do Redentor!


Dênis Bruno Rios
Colaborador do Jornal Matriz

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