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“A Santa Milagrosa da Capela”

Apareceu no céu um grande sinal: Uma mulher vestida com sol, tendo a lua debaixo dos seus pés... (Ap 12)
 
Do paraíso, só restaram a saudade e a triste constatação de que a harmonia e a paz foram expulsas da face da terra. Instaurou-se o ódio entre as pessoas, a corrupção e a desordem tomaram conta do mundo: “Javé viu que a maldade do homem crescia na terra, e que todo projeto do coração humano era sempre mau” (Gn 6,5). Dor e tristeza cobriam as flores, os pássaros, os animais e os humanos com seu manto de luto. O sol desapareceu, e nuvens ameaçadoras escondiam o horizonte do amanhã. Ribomba um trovão, estremecendo as bases da terra: “Javé se arrependeu de ter feito o homem sobre a terra, e seu coração ficou magoado... e disse: Vou exterminar da face da terra os homens que criei, porque me arrependo de os ter criado” (Gn 6,7). Mas, nos arquivos eternos da mente de Deus, havia um registro: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela e eles vão esmagar a tua cabeça” (Gn 3,15). Noé era um homem justo e íntegro, e andava com Deus... A descendência da Mulher que vai salvar a vida na face da terra. Realidades se misturam com símbolos, tecendo a cadeia da esperança. Uma Arca, de madeira incorruptível, capaz de abrigar as sementes da vida, é projetada para flutuar sobre as águas revoltas da morte. Demorou muitos anos, um século, para ficar pronta. “E Javé ordenou: entre na arca com toda sua família, porque você é o único justo que encontrei nesta geração.”
 
As nuvens derramaram sobre a terra a água da purificação, durante 40 dias. “Caiu o dilúvio sobre a face da terra. A arca flutuava sobre as águas... pereceram todos os seres vivos. Ficou somente Noé e os que estavam com ele na Arca” (Gn 5,18).
 
Durante 150 dias a Arca navegou por vales e montanhas garantindo a sobrevivência na nova criação. No décimo sétimo dia, do sétimo mês, a Arca pousou sobre o monte Ararat. A vida voltava à terra para garantir o começo da nova criação. Noé soltou a pomba da paz e ela trouxe no bico um broto novo de oliveira. Depois foi solta de novo, e ela não voltou mais... No horizonte longínquo da história surgiu um novo clarão: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens amados por Deus” (Lc 2, 14). A Arca divina que sobreviveu ao dilúvio do pecado, abriu a janela e soltou o Príncipe da Paz. “Porque nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado... Ele se chama ‘Conselheiro maravilhoso’, ‘Deus forte’, ‘Pai para sempre’, ‘Príncipe da paz’... O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, e uma luz brilhou para os que habitavam um país tenebroso” (Is 9).
 
As fitas e as cortinas vão sendo retiradas, e vai surgindo, com todo o seu esplendor, a Santa Milagrosa da Capela... “Apareceu no céu um grande sinal: Uma mulher vestida com sol, tendo a lua debaixo dos seus pés... estava grávida e gritava entre as dores de parto... Nasceu o Filho da Mulher. Era menino homem”... (Ap 12). A serpente não desistiu: vomitou um rio de água atrás da mulher, para que ela se afogasse. Mais uma vez a serpente infernal foi vencida: “Ela vai esmagar a tua cabeça” (Gn 3,15).
 
 
Pe. Ângelo Licati
Missionário Redentorista