
Era Quinta-feira Santa; Jesus, após a Ceia Pascal está se despedindo dos discipulos. Para eles e para o proprio Jesus estava chegando a hora do derradeiro testemunho: “Pai, chegou a hora! Glorifi ca o teu filho!”(Jo 17,1). A angústia e o medo fazem Jesus suar sangue e tremer de medo: “Tomado de angústia, Jesus rezava com mais insistência. Seu suor se tornou como gotas de sangue que caíam no chão” (Lc 22,44).
O amigo que o trai: “Judas, com um beijo você trai o filhodo Homem?” (Lc 22,48); O abandono e a fuga dos discípulos: a negação de Pedro; a zombaria e o escárnio perante o Sinédrio; o pretório de Pilatos. Começava a sexta-feira: acusações, ameaças, mentiras e a sentença: “Que seja crucificado” (Lc 23,24). Carregando a cruz, foi levado para o Calvário: “Quando chegaram ao lugar, chamado “lugar da Caveira”, aí crucificaram Jesus” (Lc 23,33). Três horas de agonia... Das veias abertas jorra sangue, derramado na cruz, para o perdão e para a vida do mundo. “A mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cléofas, e Maria Madalena estavam junto à cruz”. Mãe e fi lho unidos no mesmo martírio e na mesma dor, para dar vida ao mundo: “Eis aí seu fi lho; eis aí a sua Mãe” (Jo 19,25-27). um sepulcro aberto na rocha recebe o cadáver do Senhor da Vida: “Se o grão de trigo,plantado na terra, não morre, fica sozinho. Mas, se morre, produz muito fruto” (Jo 12,24).
Sábado da solidão, da soledade: ninguém pode trabalhar, ninguém deve andar: a criação guarda luto pelo autor da vida que morreu assassinado. João acolhe Maria em sua casa.
Os discípulos, prudentes e medrosos se escondem no Cenáculo: portas e janelas fechadas e trancadas; a natureza, silenciosa, guarda velório pela vida que morreu. No coração da Mãe, a Senhora das Dores, a expectativa cresce a cada hora que passa. foi assim também em Belém, quando as dores do parto anunciavam que estava chegando a hora da “luz verdadeira que ilumina todo homem” aparecer no mundo (Jo 1,8). Os dias se completaram, e “Maria deu a luz seu filho primogênito e o colocou na manjedoura” (Lc 2,7). O túmulo se enche de luz; a pedra que fecha o sepulcro é atirada para longe, os guardas são arremessados para bem longe, e a luz verdadeira refulge na escuridão da noite: Ressuscitou, como tinha prometido, Aleluia! “Não procurem entre os mortos aquele que está vivo.” (Lc 24,6) Era o primeiro dia da semana da nova criação.
Era o recomeço da nova história para a nova humanidade. Como a fagulha ligeira em meio à palha seca do medo e da descrença, a novidade vai acendendo alegria, cânticos e felicidade nos corações... Ele ressuscitou verdadeiramente... apareceu à Maria Madalena, a Pedro, aos discípulos reunidos, aos discípulos descrentes na estrada de Emaús...
Por respeito ao mistério de amor e de encantamento, a Escritura deixa de relatar o encontro do filho Ressuscitado com sua Mãe querida. Você leitor, leitora amiga, contemple, extasie-se, ao meditar este momento feliz do encontro da Mãe e do filho. A Bíblia não relata este momento maravilhoso, porque seu interesse era quebrar a resistência dos que não acreditavam. Maria nunca duvidou da vitória fi nal do filho!
“Rainha dos céus, alegraivos,aleluia! Porque, aquele que merecestes trazer em vosso seio, ressuscitou verdadeiramente, Aleluia, Aleluia!”