Assim nós rezamos nas novenas: “A partir da Anunciação, Maria viveu para corresponder ao chamado de Deus, sendo Mãe do Cristo e da Igreja”. Já meditamos sobre Maria como Mãe de Cristo, e Mãe de Deus. Voltamos, agora, nossa reflexão sobre Maria como Mãe da Igreja. Em nossas novenas, nós rezamos assim: “No dia de Pentecostes, Maria estava em oração com os apóstolos, naquele momento em que nascia a Igreja”.
As novenas perpétuas são um ato devocional da piedade cristã e um ensinamento sólido e profundo do papel que Maria exerce na História da Salvação

O texto da novena, quando focaliza Maria na história da Salvação, ressalta os três momentos fundamentais para se dar a Maria o título de “Mãe da Igreja”. Na encarnação, gerando em seu ventre o Verbo Eterno, Maria se torna Mãe daquele Jesus que é o fundador da nova Comunidade de Salvação – a Igreja. Jesus só nos salvou porque, como Deus encarnado, podia representar a humanidade para receber a Redenção.
O Concílio Vaticano II, em sua Constituição sobre a Igreja, afirma o seguinte: “A Igreja é, em Cristo, como que o sacramento e sinal, o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (Lumem Gentium). Não existe Igreja sem Cristo, não existe Cristo (Deus feito homem) sem Maria. Por isso, rezamos, com fé e gratidão: Maria é Mãe de Cristo e da Igreja. No momento supremo da manifestação do Amor de Deus pela humanidade, Jesus nos dá sua Mãe, como nossa Mãe e nos entrega a Ela, como filhos amados. “Mulher, eis aí o teu filho; Filho, eis aí a tua Mãe” (Jo 19,25-27).
E o Apóstolo São João, representando toda a humanidade redimida e salva pelo sangue de Cristo derramado na cruz, recebeu Maria em sua casa, família de Deus, gerada aos pés da Cruz. A comunidade nascida no calvário tem Maria como Mãe e Senhora. Por isso, o papa Paulo VI afirma que “adevoção a Maria é um elemento qualificador e intrínseco da genuína piedade da Igreja, e do culto cristão”.
A Igreja, qual grão de trigo lançado à terra, (Cristo morto eressuscitado) esperava, em preces ardentes, a vinda do Espírito Santo, prometido por Jesus. “No Cenáculo, junto com os Apóstolos e com algumas mulheres, entre as quais Maria, a Mãe de Jesus, estavam em oração naquele momento em que
nascia a Igreja”.
Jesus afirmara aos seus discípulos, quando estava para voltar ao Pai, na Ascensão: “O Espírito Santo descerá sobre vocês, e dele receberão forças para serem minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e a Samaria, e até os extremos da terra” (At 1,8). A Igreja nascida, com Cristo, no ventre de Maria, remida e purificada no sangue derramado, aparece forte, cheia de vida, no dia de Pentecostes, para continuar a missão de Cristo, pelo mundo todo, e até o final dos tempos.
“A Igreja, pela evangelização, gera novos filhos hoje. Esse processo que consiste em transformar a partir de dentro, em renovar a própria humanidade é um verdadeiro renascimento. Neste parto, sempre renovado, Maria é nossa Mãe”. Por isso, o povo cristão reconhece na Igreja a família que tem por mãe a Mãe de Deus. A Igreja, instruída pelo Espírito Santo venera Maria como “Mãe muito amada, com afeto e piedade filial” (LG, 13). Por isso, o papa Paulo VI proclamou, solenemente, no final do Concílio Vaticano II – “Maria, Mãe da Igreja”.
“Maria se tornou o grande sinal de rosto materno e misericordioso, da proximidade do Pai e de Cristo, com quem Ela nos convida a entrar em comunhão”. As novenas perpétuas da Matriz não apenas são um ato devocional da piedade cristã, mas também um ensinamento sólido e profundo do papel que Maria exerce na história da Salvação. Sim! Estamos no caminho certo!