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Maria, nossa Mãe

Já refletimos, em nossas meditações anteriores, sobre os alicerces teológicos sobre os quais se apóia a nossa devoção a Maria - Mãe de Deus, Mãe da Igreja. Dessas reflexões decorrem vários títulos e invocações que aplicamos a Nossa Senhora. Na última reflexão mostramos Maria por vontade de  Deus, como Mãe da Igreja.

A Igreja é todo o povo de Deus, unido a Cristo pela fé, em comunhão com Deus e com todos os irmãos. Por isso, nada mais justo e lógico do que atribuir a Maria, o título de “Nossa Mãe”. Nós somos a Igreja deixada por Jesus para ser sinal e instrumento de salvação. A  invocação “Mãe querida” quer expressar todo nosso afeto, carinho e confiança no poder e na bondade desta Mãe. O cântico “por nós velai, oh Mãe  querida”, quer evocar e chamar nossa presença a figura de nossa mãe, que nos gerou, e cuida de nós.

Vamos aprofundar um pouco mais esta nossa reflexão: Assim nos ensina o Documento de Puebla: (288) “A Igreja, pela evangelização, gera novos  filhos hoje. Esse processo que consiste em transformar a partir de dentro, em renovar a própria humanidade é um verdadeiro  nascimento. Nesse parto, sempre renovado, Maria é a nossa Mãe. Ela, gloriosa no céu, atua na terra. Participando do domínio de Cristo ressuscitado, Ela cuida com amor  materno dos irmãos de seu filho que ainda peregrinam.”

“E enquanto peregrinamos, Maria será a Mãe educadora da fé. Ela nos ensina a  ouvir e fazer a santa vontade de Deus. O seu conselho aos serventes nas Bodas de Cana, vale perfeitamente, também, nos dias de hoje. O Papa Paulo VI, faz comparação entre as nossas mães e nossa Mãe  Maria, e diz: Como não se pode falar em família sem a mãe, “não se pode falar em Igreja, sem que esteja presente Maria.” Assim como a mãe, é, na família, o centro de todo amor, afeto, carinho, bondade, assim “Maria na Igreja, com sua presença feminina, cria o ambiente de família, o desejo de acolhimento, o amor, o respeito à vida. A presença de Maria, na Igreja, é uma realidade tão profundamente humana e santa que desperta nos crentes as preces da  ternura, a dor e da esperança.”

Maria não é uma pessoa idealizada, aérea: é pessoa humana, comprometida com o projeto de seu filho, e participante de sua missão. De Belém até o Calvário, Maria estava sempre presente na vida de Jesus. Após dar a luz, “Maria Envolveu o seu filhinho em faixas, e o colocou na manjedoura” (Lc2,7).  Amamentou-o: protegeu-o quando herodes o procurava para matar. Ensinou-lhe as Escrituras Sagradas, e cuidou de sua fé: “Maria e José, iam todos  os anos a Jerusalém, por ocasião da festa da Páscoa (Lc 2,41) soube educa-lo na obediência e no respeito: ‘Jesus desceu com seus pais para  Nazaré e permaneceu obediência a eles’” (Lc 1,51). Após sua emancipação, Maria acompanhava, com solicitude, a vida e a missãode seu filho, sem querer possuí-lo. Acompanhou-o na paixão, e esteve presente na hora da morte. E nesse momento solene, por vontade de Jesus, Maria se tornou a nossa Mãe: “Mulher, eis aí o teu filho; Filho eis aí a tua mãe” (Jo 19, 26-27).

Portanto, com fé e confiança nós chamamos Maria de “Nossa Mãe querida”.
PE. ÂNGELO LICATI, C.SS.R.
Missionário Redentorista