São Lucas põe nos lábios de Jesus as palavras do Profeta Isaías. “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Nova aos pobres; aos presos, a libertação... para libertar os oprimidos” (Lc 4,18).

Quando se fala em libertação, sempre se supõe uma situação de escravidão. A escravidão é anterior à ação libertadora. Assim, afi rmamos que Javé: “libertou seu povo da escravidão do Egito”. “Eu vi muito bem a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o clamor contra seus opressores, e conheço os seus sofrimentos. Por isso, desci para libertá-lo do poder dos egípcios” (Ex 3,7-8). As intervenções constantes de Javé, em favor de seu povo tinham sempre o cunho de uma ação libertadora. Firmado no poder libertador de Javé, o povo, em suas múltiplas escravidões, suspirava por um libertador e por uma libertação defi nitiva.
Mas a sua esperança de libertação não ia além da liberdade das escravidões políticas. Não estava ainda revelada a plena e total libertação que o Cristo iria realizar para toda a humanidade. As libertações realizadas por Javé na primeira Aliança eram apenas fi guras da libertação cristã.
Foi Jesus que trouxe a verdadeira liberdade para todos: “Foi para sermos livres que Cristo nos libertou” (Gl 5,1ss). A libertação realizada por Jesus é o fruto de um acontecimento histórico: a morte e a Ressurreição de Jesus, e de nossa comunhão com Cristo, em nosso batismo. A libertação que Jesus realizou se estende a três situações de escravidão: libertação do pecado, libertação da morte, e libertação da lei.
A ação de Cristo Libertador nos liberta do pecado. O pecado, com todas as suas nefastas manifestações, é o grande carrasco da humanidade. “Em Adão, todos pecaram” – afirma São Paulo. Mas Cristo, pela sua morte e ressurreição, nos libertou. “Deus Pai nos arrancou do poder das trevas, e nos transferiu para o reino de seu Filho Amado, no qual temos a redenção e a remissão dos pecados” (Cl 1,13- 14). Esta é a plena libertação, da qual todas as libertações realizadas no Antigo Testamento, eram figuras. Cristo Libertador nos livra da morte eterna. Libertando-nos do pecado, nos garante, pela sua Ressurreição, que um dia ressuscitaremos gloriosos com Ele. É por Cristo Libertador que passamos da morte para a vida, pela vivência da fé e do amor.
Cristo Libertador nos liberta do jugo da Lei. O cumprimento da Lei Mosaica, mesmo que realizado de forma exterior e sem amor, era uma suposta garantia da Salvação. Jesus relativiza o cumprimento desta lei, e nos propõe uma nova lei, que é a do “Espírito que dá a vida” (Rm 8,2). E, onde está o Espírito do Senhor, aí está a Liberdade (2Cor 3,17). Estes são os sentidos de nossa invocação “Mãe do Cristo Libertador”. Por Maria, recebemos o dom de Deus, seu Filho divino, tornado humano pela mediação de Maria. Que ela rogue por nós a seu Filho Libertador, que sempre nos livre do pecado, da morte eterna e do jugo das leis que nos oprimem e escandalizam.
Mãe do Cristo Libertador, rogai por nós!