|
Jesus é o socorro perpétuo e seguro para todos os que estão em perigo. E Maria, que foi sua Mãe e com Ele conviveu, aprendeu a ser misericordiosa. Depois de termos meditado no mês passado que Maria é a Mãe da Misericórdia, e por isso, Mãe de Misericórdia, convém agora deter-nos na invocação “Mãe do Perpétuo Socorro”. Há uma sequência lógica de pensamentos que nos levam a confiar e invocar Maria como Mãe do Perpétuo Socorro. Iniciemos nossa reflexão.
Deus é a misericórdia e o Amor: perante o estado de calamidade total da humanidade, após o pecado de Adão, o Amor misericordioso de Deus se manifesta na promessa da redenção e da vitoria de um descendente de Adão e Eva sobre o pecado e o mal. “Eu porei inimizade entre você e a Mulher, entre a descendência de você e os descendentes dela. Estes vão esmagar-lhe a cabeça” (Gn 3,15). A história do povo escolhido na primeira Aliança, é toda ela pautada, de um lado, pela fraqueza e infidelidade do povo, e do outro, pela misericórdia infinita de Deus.
Ficamos embevecidos ao meditarmos a Misericórdia de Deus, vindo em socorro de seu povo escolhido, mas pecador. O povo da primeira Aliança nunca desesperou, mesmo no meio dos maiores sofrimentos, porque tinha a certeza de que o seu Deus era fiel e misericordioso. O Antigo Testamento é um monumento maravilhoso, atestando o Amor Misericordioso de Javé para com seu povo. Brotam, cheios de confiança, expressões como estas: “Quando clamarem por mim, eu os ouvirei, porque sou misericordioso” (Ex 22,27). “Deus misericordioso, é o Senhor teu Deus” (Dt 4,31). Milhões de vezes é cantado ou rezado o Salmo 50, quando o Rei Davi, arrependido, pede perdão: “Tende piedade de mim, ó Deus, por teu amor! Por tua grande compaixão, apaga a minha culpa... purifica-me do meu pecado” (Sl 50,1).
Mas a maior prova de Amor e misericórdia do nosso Deus foi a encarnação do Verbo Eterno. “Por nós, humanos, e pela nossa Salvação, desceu dos Céus, e se fez homem”, dizemos em nossa profissão de fé. A carta aos Hebreus (2,17) faz uma revelação impressionante: “Aquele Jesus, feito pouco menor que os Anjos... teve que ser semelhante em tudo a seus irmãos, para se tornar sumo sacerdote misericordioso e fiel em relação às coisas de Deus, afim de expiar os pecados do povo. De fato, justamente porque foi colocado à prova e porque sofreu pessoalmente, ele é capaz de vir em socorro daqueles que estão sendo provados”. “Portanto, aproximemo-nos do trono da graça, com plena confiança, afim de alcançarmos misericórdia, encontrarmos a graça, e sermos ajudados no momento oportuno”. (Hb 4,16).
Jesus, portanto, é o socorro perpétuo e seguro para todos os que estão em perigo. O perigo maior e absoluto para o ser humano é a condenação eterna. Cristo Jesus ofereceu sua vida, derramou o seu sangue, para a remissão dos pecados, e continua vivo, sempre intercedendo por nós.
Maria é a Mãe do Perpétuo Socorro. Conviveu com Ele, e dele aprendeu a ser misericordiosa. Participou, de maneira única, em todo o processo de Salvação para a humanidade. Sabe quanto custamos para seu Filho, e o valor que ele deu a cada um de nós. Na terra, Jesus obedecia a Maria e José (Lc 2,51). No céu, Jesus quer honrar sua Mãe, acolhendo seus pedidos e súplicas em favor de seus devotos. Se assim não fosse, Maria no Céu teria menos poder sobre seu Filho do que tinha aqui na terra. E isso não é admissível. O poder de Maria para socorrer aos que a invocam, faz parte da Glória que seu Filho lhe quer dar, como gratidão por ser sua Mãe.
Por isso, podemos invocar, cheios de confiança: “Mãe do Perpétuo Socorro, rogai por nós!”
PE. Ângelo LiCaTi, C.ss.R.
Missionário Redentorista
|