Logo após a introdução da acolhida e saudação da novena perpétua, declaramos as intenções que nos motivaram a participar da celebração. “Nós vos oferecemos esta novena para vos louvar, e agradecer por todas as graças e benefícios, que por vossa intercessão, temos recebido”.
O sentimento mais nobre do coração humano é a gratidão. Tudo que somos e tudo que temos veio de Deus. Fomos chamados para o banquete da vida, porque fomos amados, mesmo antes de existirmos. Quem afirma isto é o Espírito Santo, e está escrito na carta de São Paulo aos cristãos de Éfeso: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo: Ele nos abençoou com toda bênção espiritual no céu, em Cristo. Ele nos escolheu em Cristo antes de criar o mundo, para que sejamos santos e sem defeito, diante dele, no amor” (Ef 1,3-4).
A nossa eleição e predestinação em Cristo afirmam, implicitamente, que Maria, também ela escolhida e predestinada antes da criação do mundo, para ser a Mãe de Cristo – Verbo eterno de Deus, aparecido no tempo em forma humana, está presente e atuante em nossa eleição, para sermos em Cristo e por Cristo, filhos amados do Pai e participantes da glória de Deus. A nossa primeira invocação nos transporta para o mistério insondável e profundo de nossa escolha para a vida. O maior dom e benefício que recebemos de Deus é o dom da vida. Juntamente com a vida, recebemos todos os outros dons e benefícios. Não temos nem a capacidade, nem tempo para enumerar as maravilhas que Deus doou para nós, nos criando, à “sua imagem e semelhança” (Gn 1,26). Os dons do corpo, da mente e do espírito; os dons da misericórdia, da graça e da salvação.

Se abrirmos os olhos para o universo que nos envolve, ficamos extasiados perante a multiplicidade e grandeza dos dons. O salmista se deslumbrou perante a grandeza da pessoa humana e do universo que o circundava, e rezou agradecido: “Senhor, nosso Deus, como é poderoso o vosso nome em toda a terra! Exaltastes a vossa majestade acima do céu. Da boca de crianças e bebês tirastes um louvor contra vossos adversários. Quando contemplo o céu, obra de vossas mãos, a lua e as estrelas que fixastes... O que é o homem para dele vos lembrardes, o ser humano para que o visiteis? Vós o fizestes pouco menos do que um deus, e o coroastes de glória e esplendor. Vós o fizestes reinar sobre as obras de vossas mãos, e sob os pés dele tudo colocastes... Senhor, nosso Deus, como é poderoso o vosso nome em toda a terra” (Sl 8,1-10). O louvor deve levar-nos a bendizer, a falar bem, a estimar por meio dos dons, o Doador dos dons.
Quando rezamos a novena, estamos plenamente conscientes que os dons são doados por Deus, mas reconhecemos que a mediação foi feita por Nossa Senhora. Por isso, rezamos: “Louvamos e agradecemos todas as graças e benefícios que, por vossa intercessão, temos recebido”. A primeira e principal intenção da novena é louvar e agradecer. Depois, voltamos nosso pensamento para nós, para o mundo de todos os seres humanos, e fazemos os nossos pedidos. É bom notar que pouquíssimas vezes fazemos pedidos para nós mesmos. Nossa visão tenta chegar, com a nossa prece, para todos os necessitados. Somos uma Igreja que ora e pede por todos os filhos e filhas de Deus. Nossa novena não é nem egoísta, nem intimista. Oramos por todos.